segunda-feira, 6 de setembro de 2010

VINHO REAL FORTE 2005



Recetemente, cheguei em casa cansada, mas estava doida para apreciar um vinho. Pelo horário, tive que ir a um supermercado mesmo e dentre todos os vinhos que estavam lá optei por um do Alentejo, em Portugal.



O Alentejo ilustra muito bem a evolução do vinho de Portugal. Há algumas décadas, a região produzia principalmente tintos e brancos rústicos, alcoólicos, sem classe e que eram consumidos principalmente nos balcões dos bares e das tascas.
A região possui uma vinificação tradicional herdeira dos processos Romanos e é bastante extensa, um pouco mais de 20 mil hectares de vinhas, o que corresponde a dez por cento do total de vinha de Portugal, que aparecem em manchas esparsas numa paisagem monótona, plana, com muitas florestas de sobreiros, que dão a cortiça usada em rolhas. Mais da metade da cortiça do mundo vem de Portugal, principalmente das planícies do Alentejo.
Uma região relativamente pobre, com uma cozinha espetacular e variada, que sabe utilizar com inteligência todos os produtos da terra.
Portugal mudou muito recentemente, principalmente após a adesão do país Comunidade Européia. Evidentemente, o progresso chegou também ao mundo do vinho.



No Alentejo, o nível técnico era precário. Eram comuns as fermentações a altíssimas temperaturas, que geravam produtos alcoólicos e sem classe. Hoje, as vinícolas são normalmente bem equipadas com sistemas de controle da temperatura, o que representou um grande progresso.
Nos vinhos alentejanos pontuam as castas Trincadeira, Aragonez, Castelão e Alicante Bouschet, resultando em tintos encorpados, ricos em taninos e aromas a frutos silvestres. As castas brancas são a Roupeiro, a Antão Vaz e a Arinto, resultando em vinhos brancos geralmente suaves, com aromas a frutos tropicais.
A Região está subdividida em oito sub-regiões nas quais se produzem vinhos DOC: Reguengos, Borba, Redondo, Vidigueira, Évora, Granja-Amareleja, Portalegre e Moura. Apresenta também uma elevada produção de Vinho Regional, que permite a inclusão de outras castas, como Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, Syrah ou Chardonnay.
Atualmente é a região com maior crescimento de Portugal. Entre Fevereiro de 2008 e Janeiro de 2009 os vinhos do Alentejo, com Denominação de Origem Controlada (DOC) e Vinho Regional Alentejano, atingiram uma quota de mercado de 44,30 por cento, em valor, e de 40 por cento, em volume.
Assim, ao ver a garrafa do REAL FORTE 2005, imaginei que poderia ser pelo menos um bom vinho. Infelizmente, me decepcionei.
Ele é elaborado com as uvas Aragonês, Castelão e Trincadeira, produzido pela Enoforum e engarrafado pela Adega Cooperativa Borba.
Realmente, não correspondeu às minhas expectativas. Na taça, o vinho tem cor vermelho-claro, com certa transparência, indicando seu pouco corpo. No nariz, há alguma fruta fresca, mas com discrição e sem nenhum entusiasmo. Na boca, o vinho é fraco, aguado e com acidez fora do ponto. Os taninos estão escondidos, e as notas de frutas são muito discretas. E apesar de que com a comida, tenha ficado um pouco melhor, não me agradou muito. Sem dúvida, é o tipo de vinho que não compraria novamente. Se me permitem uma sugestão, não comprem.




Por: Kezia Matos

Um comentário:

  1. Luís Riberio da Enoforum - cooperativa alentejana responsável pelo vinho, destacou em um blog que esta safra não deveria estar no mercado e que a Enoforum trocou o importador da marca no Brasil.
    Experimente Real Forte 2007 em diante:
    O vinho tem cor violácea denotando sua jovialidade. Seus aromas são agradáveis e lembraram frutas vermelhas frescas (framboesa, cereja) e algo doce, lembrando alguma coisa confitada. A acidez estava correta e em destaque, como era de se esperar em um vinho regional alentejano e pedia comida. Na boca, o vinho é leve, com taninos macios e maduros e álcool bem integrado (13%). Tem final médio, bastante frutado e com ligeiro amargor que não incomoda.

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